quinta-feira, janeiro 29, 2004

YOU ARE MY MATINEE ~ you are my matinee / so cool & dark inside / you’re my convenient place to hide / show me previews / of your attractions / & I’ll come see you every day / you are my matinee

Parker and Lily

Como é possível que o país "pai" da Liberdade individual e da Democracia limite o uso de símbolos religiosos nas escolas...
Ser-se laico e democrático nunca foi antítese até ontem, mas a França acabou por ser também fundadora desta triste contradição.
A Constituição democrática prevê e protege os direitos individuais. A prática religiosa deixou de fazer parte dessa "sagrada" lista?
A escolha livre de um culto deixou de ser respeitada em França. Há símbolos (seja o véu muçulmano, o turbante+cabelo+barba dos siks ou mesmo o cruxifixo ou Estrela de David) fundamentais para a prática religiosa e que devem ser respeitados porque isso, sim, é sinónimo de respeito pelo outro.
A determinação legislativa que quer acabar com intolerâncias é ela própria fruto de uma intolerância e que gerará outras intolerâncias.
Alunos de credos religiosos irão abandonar as escolas estatais e talvez frequentar outros estabelecimentos entretanto fundados nos seios das suas comunidades. Existirão ghettos e acusações de isolamento e falta de solidariedade com a sociedade em geral.
Efeitos poucos tolerantes e democráticos de leis emanadas porque quem deve dar o exemplo!

domingo, janeiro 25, 2004

Qualquer ser humano é egoísta por natureza.
Todos os nossos problemas são mais graves que os dos outros. Para lá das nossas doenças fazerem sofrer-nos muito mais. E o nosso trabalho ser muito melhor e o cansaço muito maior. É um síndroma do umbigo que nunca será alterado, mas sempre alargado...na barriga de cada um.

Há visões dos outros, porém, que nos fazem pensar. Mesmo que cheguem pelo confortável ecrã da televisão ou cinema...
Qualquer álbum clássico de BD que se preze apresenta uma ou duas violações femininas, na sétima arte este é também um tema mais ou menos recorrente.
Nos últimos filmes que vi ultimamente, as violações tornaram-se em abusos sucessivos e repetidos a mulheres que se tornaram objectos.
Se em "Dogville", o cenário teatral limitava a acção, em "Lilya para Sempre" os espaços de um país ex-sovitético e da Suécia situavam os acontecimentos geograficamente mais perto da realidade.
A exploração humana, em especial ou quase exclusivamente das mulheres e crianças, é um drama cada vez mais recorrente nos meios de comunicação social, onde é explicado pelo fosso entre países ricos, semi.ricos ou pobres ou mesmo semi-pobres. Um efeito da informação, viagens e do dinheiro globalizado.
Pena é que as explicações, nem as leis sirvam para travar a escravidão.

quarta-feira, janeiro 21, 2004

A cultura em Portugal é só para alguns....
Que pena concordar com esta afirmação quando descobri que os preços de um bilhete de uma ópera variam entre os 20 e os 05 contos (sim, eu ainda me oriento na velha moeda e além do mais é só fazer as contas) e que a sua compra demora mais de uma hora e meia.
Á porta do São Carlos ouvem-se com orgulho na voz as descrições de cinco horas de espera e as voltas que a fila fazia na praça.
Mas os tempos são outros. Agora há um segurança que fornece umas senhas, ao mesmo tempo que se pavoneia qual prima-dona devido ao poder que os outros parecem dar-lhe.
Explicando: quando o dito senhor anuncia que o portador da senha 07 encontra-se na bilheteira para comprar o seu ingresso e estende a senha 60 à pessoa que acaba de chegar... esse número 60 demonstra inicialmente um olhar desolado e imediatamente reage e pergunta se vai demorar muito para depois enfatizar que está cheio de depressa, numa afirmação que, de um forma implicita, sugere um "jeitinho" por parte daquele senhor que parece deter o poder de deixar passar à frente dos outros.
Os tempos são outros e de crise, mas o preço continua a ser exorbitante. A ópera é um espectáculo caro de levar à cena, pois é.... mas não será o Teatro Nacional São Carlos propriedade do Estado e não terá esse mesmo Estado "alguma" obrigação de abrir o "estranho mundo" da cultura a todos?
Viva os descontos para os cidadãos até 30 anos ou com mais de 65!!!

Sou uma anti-americanista convicta tendo em conta o presidente que lidera os EUA e que pretende continuar a ocupar esse posto. Certo é que já há testemunhos oficiais (ex: antigo membro do gabiente de quem nós sabemos) da incapacidade de "mandar" no mundo e da indiferença quanto à política interna, com todos os problemas económicos e sociais que se conhecem.
Os problemas internacionais também não deixarão de o ser com este senhor na presidência, que até faz campanha pelo fim dos casamentos "entre não heterossexuais".
Esta posição homofóbia juntar a uma muito semelhante do Vaticano, que também já considerou as hipóteses de afastar as mulheres do altar (ou o mesmo é dizer dos serviços litúrgcos) e proibir os cântigos na igreja... deixa no ar uma questão:
Radicais e intolerantes serão adjectivos exclusivos dos muçulmanos? Do tal Islão que também ganhou como sinónimo de terrorismo?

sábado, janeiro 10, 2004

http://www.inkoma.com/mp3/mbv/Live_at_Olympia_Paris_3-17-92/live_at_Olympia_Paris_3-17-92-My%20Bloody%20Valentine%20-05_Nothing_Much_to_Lose.mp3

Uma música para ilustrar o estado de alma...

Já entrou o novo ano...
... e em velocidade inconstante.
E estou a referir-me literalmente a velocidade e fisicamente na estrada
Todos sabem que estamos na cauda da Europa a nível de acidentes rodoviários, que somos uns selvagens, que não há civismo, mas eu fiquei a saber que há loucos profundos.
Ia eu calmamente pela denominada IC2 que liga a zona da Expo a Santa Iria quando deparo com um condutor atravessado em duas faixas com o 'simples e lógico' propósito de entrar para o acesso à Ponte Vasco da Gama e Cril primeiro que os outros. Um defensor da teoria que todos os condutores que respeitam as filas são idiotas, portanto.
Uma buzinadela da minha parte para demonstrar a minha vontade de seguir em frente foi o bastante para cerca de meia-hora de uma perseguição digna dos fimes mais aterrorizadores ou de um humor negro surreal.
O dito senhor resolveu travar de repente, mas a minha experiência em acidentes na traseira de outrém fez-me aprender a respeitar as distâncias e a salvaguardar a minha dianteira.
O reconhecimento do inimigo público foi o seu passo seguinte para logo se dedicar a pisar no acelerador ou no travão, conforme eu fazia o mesmo.
Foram momentos de quase pânico tendo em conta as histórias envolvendo tacos de basebol, pistolas e outros que se contam com o trânsito em pano de fundo.
Resolvi que o meu destino seria a GNR mais próxima, mas acabei por não chegar lá.
O perseguidor, sem trocar palavra, no final do quarto cruzamento seguiu no sentido contrário ao meu.
Explicações??? Quem me dera tê-las.